Solange Tannuri - obra

Criadores

Solange Tannuri

Com mais de 40 anos dedicados à Arquitetura, Decoração e Arte, construiu uma trajetória marcada pela sensibilidade e pelo olhar apurado para espaços. Formada pela Arquitec Campinas e especializada em Artes pela Panamericana, realizou projetos no Brasil e no exterior.

Sou Solange Tannuri. Durante 43 anos atuei como decoradora — como éramos chamadas naquela época.

Ao longo dessa trajetória, tive a alegria de receber diversos prêmios por trabalhos apresentados em mostras de decoração e outros projetos.

Realizei trabalhos em Campinas, em diversas cidades do Estado de São Paulo, incluindo o litoral, e também no exterior.

Minha formação é de uma das primeiras turmas da Arquitec Campinas. Também cursei Artes na Panamericana, em São Paulo, e realizei especializações na área.

Hoje estou aposentada, mas continuo levando comigo a paixão pela arquitetura, pela decoração e pela arte, que sempre fizeram parte da minha história.

Guardo lembranças verdadeiras e muito especiais dos anos 90 ao lado da família Geuer. Ser lembrada em uma homenagem por uma empresa que aprendi a amar desde os primeiros contatos é uma honra que muito me emocionou e me deixou imensamente feliz.

Tive o privilégio de conhecer o Mestre Ton, que sempre me recebia com muita atenção para longas conversas sobre arte e viagens. Sua carinhosa esposa nos presenteava com um delicioso cafezinho, e as conversas se estendiam de forma leve e agradável. Também acompanhei o crescimento de suas lindas netas, sempre envolvidas com o maravilhoso trabalho do avô.

Mestre Ton era um verdadeiro mestre: atento, generoso e dono de um olhar único, orientava com maestria cada etapa da finalização dos vitrais.

Naquela época, eu participava da terceira edição da querida Campinas Decor e desejava que meu ambiente tivesse uma porta criada pelos Vitrais Ton Geuer. Precisava ser uma peça marcante. Desenhei uma porta contemporânea, composta por diferentes texturas de vidro em cada pequeno detalhe, mas inteiramente em tons de branco.

Foi uma verdadeira batalha… O Mestre não aprovava a proposta. Depois de muitas conversas, chegamos a uma solução: uma porta impactante, predominantemente branca, com delicados círculos azuis e uma maçaneta de cristal azul, gentilmente cedida por minha amiga Linda, da empresa Fechabem.

No final, nasceu uma porta que tinha um pouco de mim e um pouco do Mestre.

Essa proposta de um vitral contemporâneo, com tons mais claros e vidros de diferentes texturas, teve grande repercussão e foi muito bem recebida pelos clientes.

Enfim, é uma história de um tempo que guardo com enorme carinho.

O Mestre nos deixou, mas permaneceu seu legado: o amor, o respeito e a excelência na arte do vitral, enriquecidos pelo olhar sensível e inconfundível do Mestre Ton.

  • A obra foi concebida a partir da proposta de ampliar a linguagem tradicional do vitral, explorando sua expressão tridimensional e escultórica. A peça assume a forma de um biombo composto por planos posicionados em diferentes ângulos, nos quais a estrutura volumétrica torna-se parte essencial da composição estética. O desenho foi inspirado nas asas de uma borboleta, escolhidas por sua identidade visual imediatamente reconhecível e por manter sua força gráfica mesmo quando fragmentadas em módulos. Essa solução permite que cada plano preserve sua leitura individual, enquanto o conjunto revela uma composição dinâmica, leve e integrada, valorizando simultaneamente a riqueza estrutural, a transparência e a expressividade do vitral.

  • Este trabalho nasceu do desejo de retirar o vitral de sua condição tradicionalmente bidimensional e conduzi-lo a uma experiência escultórica. A intenção foi transformar a superfície em volume, permitindo que luz, estrutura e desenho dialogassem como uma única expressão artística. Minha experiência com esculturas orientou esse processo, explorando a repetição, a inversão e o espelhamento de um único fragmento gráfico inspirado nas asas de uma borboleta. A simplicidade do desenho amplia suas possibilidades compositivas, revelando novas leituras a cada montagem. Busquei criar uma obra capaz de surpreender pela volumetria, mantendo uma identidade visual imediatamente reconhecível e demonstrando como um elemento essencial pode gerar infinitas composições e significados.